
É uma pena que o filme “J’ai tué ma mère” passou tão despercebido na última edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo... Foram poucos os que tiveram a chance de assistir ao filme, que na minha opinião, foi um dos melhores que assisti durante o evento... O filme foi exibido em Cannes e ganhou três prêmios no festival, além de ser o indicado do Canadá para concorrer a uma vaga ao oscar de filme estrangeiro em 2009.
O filme gira em torno da relação de amor e ódio do jovem Hubert e sua mãe Chantale, e adota uma atmosfera intimista ao focar os personagens através de uma câmera que se mantém sempre próxima dos atores enquanto estes expõem o desprezo e ao mesmo tempo o amor descontrolado que seus personagens sentem um pelo outro.

A perfeita compreensão da plasticidade das imagens é uma das coisas que mais chama a atenção no filme. Nem tudo está nos diálogos. Com planos e sequências incríveis, o diretor consegue expressar a personalidade e a confusão interior dos personagens através de seus gestos e expressões corporais.
O mais impressionante é que o diretor canadense, Xavier Dolan, de apenas 19 anos, é também o roteirista e protagonista do filme. Dolan afirmou que o roteiro é profundamente autobiográfico e que sempre foi influenciado por Godard, Gus Van Sant e Cocteau, este último mais pela literatura. É, com certeza, um dos pequenos gênios dessa nova safra de cineastas que despontam hoje no cinema independente. E tem tudo para se tornar um dos grandes...




